quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A doutrina espírita é um método de autoajuda?

Comecemos pela definição do Dicionário Aurélio na qual vamos nos basear para esse texto:

"Método de aprimoramento pessoal em que o indivíduo pretende buscar, sem ajuda de outrem, soluções para problemas emocionais, superação de dificuldades, etc".

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Na minha concepção a doutrina espírita não oferece um método de autossuficiência, mas de autonomia. Falamos sobre autoconhecimento, mas esse processo de autoanálise, na abordagem espírita, não dispensa a ajuda alheia, quer seja direta ou indiretamente na vida em sociedade.
Resolver um problema emocional é algo complexo (não complicado), pois demanda uma transformação do todo e não de somente uma parte.

É uma tomada de posição para um processo de reforma íntima que não é "localizado", mas global. É um novo posicionamento perante a vida feito de forma gradativa, porém não fragmentada.

São sintomáticas essas frases que vemos principalmente na internet: "Faça isso", "Não faça aquilo". Sempre no imperativo afirmativo ou negativo, ou seja, ditando algo que alguém deve fazer... Vejo poucas delas dizendo: "Preciso mudar meu procedimento quanto..."; "Necessito mudar meus princípios no que diz respeito a...". Parece que inconscientemente pregamos uma autoajuda que, na prática, torna-se boa apenas para os outros.

Autoconhecimento envolve os três aspectos do Espiritismo: o científico que, através da pesquisa mediúnica, nos oferece a certeza de que somos Espíritos imortais e não apenas corpos biologicamente mais evoluídos; o filosófico que nos faz refletir sobre nossa origem, responsabilidade e destino perante os outros e perante nós mesmos e finalmente o religioso que nos orienta a respeito de nossas emoções e sentimentos de forma integrada e relacional.

Autoconhecimento é libertação para a consciência preocupada com a harmonia de si mesma e da sociedade, autoajuda é uma tentativa de resolver algo em si mesmo, somente para si mesmo e por si mesmo.

(Texto publicado no Facebook dia 23/03/16)

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